Consumidores Conscientes
Em cada dez brasileiros, apenas dois são
consumidores conscientes, mostra estudo do SPC Brasil.
Um indicador
inédito lançado este mês pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e
pelo portal de educação financeira 'Meu Bolso Feliz' a partir de uma pesquisa
realizada em todas as capitais revela que o brasileiro reconhece que as
atitudes cotidianas ligadas ao consumo são importantes para a vida em
sociedade, mas nem todos praticam, individualmente, ações neste sentido. Numa
escala de 1 a 10, os entrevistados dão nota média de 8,8 para a importância do
tema consumo consciente, mas em contrapartida, apenas dois (21,8%) em cada dez
brasileiros podem ser considerados consumidores plenamente conscientes.
Pode–se concluir,
portanto, que o consumidor brasileiro é, em média, um consumidor em transição. Dentre
as práticas financeiras adequadas, as mais adotadas pelos brasileiros são não
se influenciar pelo consumismo das pessoas do seu círculo de convivência
(88,5%) e não se importar em adquirir somente produtos de marcas famosas,
priorizando a qualidade (84,1%). Outros dados, contudo, demonstram que o
consumidor precisa lidar melhor com o compartilhamento de produtos e as compras
desnecessárias. Apenas quatro em cada dez pessoas (40,9%) dizem preferir alugar
ou pedir emprestado algo que usam com pouca frequência e, somente 17,1% afirmam
não ter se arrependido por comprar algum produto que não precisavam.
A atitude ambiental adequada mais seguida pelos consumidores é verificar a possiblidade de reutilização ou troca: 83,5% garantem que antes de jogar fora um produto que não querem mais, procuram doá-lo ou mesmo trocá-lo com alguém. Além disso, praticamente oito em cada dez consumidores ouvidos (77,7%) afirmam evitar o uso indiscriminado da impressora, enquanto 76,4% dizem não utilizar o carro para pequenos deslocamentos.
Já entre as ações menos adotadas, do ponto de vista da sustentabilidade, está a reciclagem do lixo: apenas um pouco mais que a metade (53,2%) dos consumidores ouvidos separa o lixo doméstico para a coleta seletiva. Também é significativamente menor a parcela dos que atentam para aspectos que envolvem a idoneidade da empresa: cinco em cada dez (50,7%) brasileiros disseram analisar as práticas adotadas pela empresa em relação ao meio ambiente ou à sociedade antes de fazer uma compra.
Uso racional da
água e energia
Em média, 74% dos
entrevistados realizam as atividades consideradas adequadas para o uso racional
da água, sendo que a ação mais difundida é a de fechar a torneira enquanto
escova os dentes (90,4%). Outra ação bastante comum é a de não lavar a casa ou
a calçada com mangueira (88,3%). No entanto, o desempenho é pior no momento do
banho e na hora de lavar roupas: 68,0% dizem fechar a torneira enquanto
ensaboam o corpo e apenas 37,6% afirmam usar a máquina de lavar na capacidade
máxima.
Em relação ao uso racional da energia elétrica, em média, 76% dos entrevistados colocam em prática as ações consideradas adequadas. O hábito mais comum é o de apagar as luzes de ambientes que não estão sendo utilizados (97,1%). Já os comportamentos menos adotados são o de compartilhar o uso da TV entre os moradores da casa para economizar energia (60,6%) e o de retirar das tomadas os aparelhos elétricos quando não são utilizados (51,9%).
Jovens pouco conscientes
O levantamento constatou que os consumidores mais jovens são os que menos adotam práticas adequadas de consumo. O percentual de atitudes corretas, que é de 69,3% para a população em geral, sobe para 74,2% entre os entrevistados com idade acima dos 56 anos e cai para 64,5% entre o universo de consumidores com idade que vai de 18 a 29 anos.
Quando comparado ao geral, a maior concentração de entrevistados na categoria dos 'nada ou pouco conscientes', é encontrada, justamente na faixa de 18 a 29 anos: 46,3% contra somente 31,2% do total da população. Na mesma comparação, entre os não conscientes, há uma participação maior de consumidores da região Sudeste (53,8%) e de homens (61,3%).
Falta de tempo para atitudes conscientes
Diante do comportamento predominantemente inconstante do brasileiro, que ora pratica ações adequadas e ora deixa de agir de modo consciente, o SPC Brasil procurou entender o que impede as pessoas de tomarem atitudes responsáveis com relação ao consumo. A justificativa mais citada pelos consumidores entrevistados é a falta de tempo (26,5%), principalmente entre os homens (30,3%) e os mais jovens (36,7%). Logo depois vem a distração ou esquecimento (25,4%), que também é mais frequente entre a parcela masculina de entrevistados (29,9%) e pessoas mais jovens (34%).
Metodologia
O indicador de Consumo Consciente (ICC) calculado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) tem como objetivo medir os conhecimentos e níveis de práticas de consumo consciente pelo brasileiro em três esferas: financeira, ambiental e social. Para isso, foram entrevistados 605 consumidores nas 27 capitais, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 4,00 pp com margem de confiança de 95%.
Fonte: http://mma.gov.br/index.php/comunicacao/agencia-informma?view=blog&id=1018

